Resumo.
Este artigo relata o processo histórico
de implantação e implementação da política
de introdução das novas tecnologias da informação
e comunicação, NTICs, nas escolas da rede municipal
de ensino de Brusque, Santa Catarina. Processo este que começou
em 1994 com a realização do I Seminário de
Informática Educativa, passando pelos trabalhos desenvolvidos
no MAPE, Módulo de Aplicações Educacionais,
no Telecentro de Brusque onde é oferecido à comunidade
em geral e aos professores e alunos das redes públicas de
ensino - estadual e municipal - acesso a recursos da telemática,
capacitações e oficinas pedagógicas apoiadas
nas NTICs. Culminando com a criação, implantação
e implementação do Projeto ESPIN nas escolas municipais.
Este Projeto é uma iniciativa totalmente apoiada em recursos
municipais: da fundamentação teórica, passando
pelo gerenciamento dos recursos humanos e o papel de cada sujeito
e metodologia de projeto como referência para ação
pedagógica dos professores e alunos que querem construir
um novo paradigma educacional.
Palavras-chave: Escola Pública e as NTICs,
Capacitação de Professores, Política Pública
para NTICs na Escola.
1 - Introdução
Projetos de disseminação do uso das NTICs, ou de inclusão
digital são em geral considerados de grande impacto político,
econômico e social. Tal se justifica quando se analisa que
o homem cria tecnologias para mediar as relações que
constrói com o mundo, com os outros e consigo mesmo. Tais
mediações permitem superar limites de tempo e de espaço.
Nesse sentido autores como McLuhan (2003) e Burke (2003) conceituam,
as tecnologias como extensões de nosso sistema físico,
nervoso e mental. O uso dessas novas tecnologias irá logo
exigir "novas relações e equilíbrios entre
os demais órgãos e extensões do corpo"
(McLuhan, 2003: 109).
As novas tecnologias estão abrindo um novo e amplo espaço
de possibilidades, mas é bom não esquecer que a falta
de compreensão sobre os artefatos tecnológicos gera
dependência. Em outras palavras, é preciso que sejamos
em grande número capazes de identificar as razões
do uso das tecnologias e as transformações que concebemos
como possíveis a partir desse uso.
Num país que historicamente apresenta uma grande concentração
de renda e conseqüentemente um quadro de desigualdade social
e econômica gritante é sempre urgente a criação
de políticas públicas que enfrentem estes desafios.
No município de Brusque, Santa Catarina, há quatro
anos vem sendo implantado um projeto educacional de inserção
das novas tecnologias da informação e comunicação,
NTICs, no cotidiano das escolas municipais. Esse projeto tem como
eixo central habilitar professores e alunos para construção
autônoma de uma nova prática pedagógica. Este
artigo relata, analisa e avalia esse processo.
2 - O Projeto
ESPIN - Nascimento, Implantação e Implementação
O início do processo de informatização da educação
pública municipal de Brusque começou em abril de 1993,
com a realização de uma parceria entre várias
instituições (EDUGRAF, TELEBRÁS, SED E SEME)
para a implantação do Módulo de Aplicações
Educacionais (MAPE), que funcionaria no Centro de TeleServiços
Comunitário (TELECENTRO) de Brusque. Após um ano,
em 21 de abril de 1994, foi realizado o ato de assinatura do Convênio
para Implementação do MAPE durante a abertura do I
Seminário de Informática Educativa de Brusque, que
tinha como finalidade promover palestras e debates para sensibilizar
os profissionais da área educacional e a comunidade do município,
quanto ao uso de novas tecnologias na educação e sua
contribuição no processo de transformação
da sociedade.
Esse ambiente pedagógico informatizado, com acesso à
Internet via rádio e via linha telefônica, proporcionou
à comunidade em geral e, em especial, às escolas públicas
a oportunidade de: acesso e formação no uso das NTICs;
e, desenvolvimento de experiências e projetos educacionais
apoiados nas NTICs. Nestes quase dez anos, já passaram mais
de 66 mil usuários pelo TELECENTRO/MAPE. Esse ambiente permitiu
a construção de muitas experiências pedagógicas
apoiadas nas NTICs, além da capacitação de
professores e alunos . Daí foram criadas as condições
políticas e sociais para a implantação do Projeto
ESPIN pela Secretaria Municipal de Educação de Brusque.
A rede escolar municipal de Brusque é formada por 41 estabelecimentos
que atende a Educação Infantil (16 centros de educação
infantil), o Ensino Fundamental (24 escolas) e Ensino Médio
(01 estabelecimento). Os estabelecimentos educacionais estão
geograficamente localizados nos bairros de periferia da cidade e
atendem à comunidade em três períodos diferentes:
nos períodos matutino e vespertino os alunos das séries
iniciais de 1ª a 4ª série e finais de 5ª a
8ª série do Ensino Fundamental; e no período
noturno, ao Ensino Médio e Educação de Jovem
e Adultos, EJA.
O projeto ESPIN (ESpaço Pedagógico Informatizado)
foi oficialmente iniciado no dia 08 de fevereiro de 2001, pela recém
empossada equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação
de Brusque para o período administrativo 2001-2004. A idéia
de chamar o projeto de ESPIN veio da necessidade de, através
de um nome simples, evitar tornar o espaço um "templo
sagrado" (tipo CPD) onde só os "sacerdotes"
(técnicos ou especialistas em informática) pudessem
entrar e mexer, Por isso evitou-se chamar de "Laboratório
de Informática". Com o nome - ESPIN - buscou-se incluir
um novo conceito para a comunidade escolar passando a idéia
de que a escola está ganhando um espaço pedagógico.
O ESPIN é um espaço equipado com PCs, impressoras,
scanner, gravadora de CD-ROM, placa digitalizadora de vídeo
e som, TV, vídeo, acesso à Internet e aplicativos
diversos (preferencialmente software livres). Esse espaço
já existe atualmente em 10 estabelecimentos municipais de
Brusque (1 no Telecentro, 7 em escolas de Ensino Fundamental, 1
escola de Ensino Médio e 1 num Centro de Educação
Infantil). Esses espaços são colocados à disposição
dos professores e alunos e sendo oferecido, também, orientações
pedagógicas e informacionais, para que dele façam
uso durante o desenvolvimento de suas atividades curriculares transformando
assim sua prática didático-pedagógica.
O Projeto ESPIN apresenta três dimensões de justificativas
gerais: legislacional, políticas governamentais e pedagógicas.
As justificativas pedagógicas, consideradas as mais importantes,
foram baseadas em diversos autores que indicam que as NTICs podem
melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem; ampliar
o mundo da informação dos alunos e professores; ampliar
o instrumental didático-pedagógico para professores
e alunos; criar uma nova ecologia cognitiva na escola e possibilitar
a capacitação contínua e permanente dos professores
através de cursos on-line.
Em fevereiro de 2004, criou-se a APID, Ação Pela Inclusão
Digital, e as escolas que têm o ESPIN passaram a atender no
período noturno as pessoas da comunidade escolar que desejassem
aprender a conhecer o mundo digital para se integrar na sociedade
digital e resgatar sua cidadania.
3 - A Gestão
dos Recursos Humanos dentro do Projeto ESPIN
Para o Projeto ESPIN os principais elementos de todo processo são
os agentes humanos: o Professor, o Aluno e o Professor-Motivador.
O Professor é autônomo para traçar as diretrizes,
projetar e executar a sua prática pedagógica com o
uso do ESPIN. Ele só usará os recursos se isso tiver
alguma significação para ele. Essa significação
nasce do encantamento proporcionado por um projeto interessante
de outro colega, ou por parcerias entre colegas. O professor é,
nesta proposta, o Mediador e o Coordenador das atividades pedagógicas
desenvolvidas no ESPIN. O planejamento e a execução
das atividades são de responsabilidade dos professores. O
uso do ESPIN ocorre nas suas disciplinas ou em projetos interdisciplinares
e são apoiados e assessorados pelo professor-motivador.
O Aluno é visto como um sujeito ativo e autônomo que
seleciona, analisa, gerencia e processa os mais diversos tipos de
informações (texto, fotos, imagens, vídeo,
som, sites, CD-ROMs, etc.) na construção do conhecimento
contextualizado e significado a partir de projetos de aprendizagem
que, junto ao seu professor e colegas, escolheu fazer.
O Professor-Motivador do ESPIN é um agente novo dentro do
processo ensino/aprendizagem. Ele será o sujeito que dá
suporte e orientação pedagógica para o uso
das NTICs analisando os aspectos técnicos e teórico-pedagógicos
desse uso. Ele buscará incentivar a Metodologia de Projeto
de Aprendizagem (e de Ensino) e apoiar ações dos professores
que usam os recursos dos ESPIN´s como ferramentas de apoio
pedagógico dentro.
4
- Considerações finais
Percebe-se que nesses quase quatro anos, o Projeto ESPIN ajudou
a desenvolver muitas ações pedagógicas e conseguiu
a sinergia das Equipes da SEME, do CTIC, do ESPIN, das escolas e,
principalmente, dos professores, dos alunos, dos diretores, dos
orientadores pedagógicos e dos professores-motivadores. Esses
professores têm espírito e atitude de exploradores
que, corajosos, competentes e dedicados, resolveram enfrentar o
desafio de incorporar as NTICs ao seu cotidiano profissional buscando
com seus alunos um novo paradigma educacional. Prova disto é
o crescente número de projetos pedagógicos em multimídia
(80 CD-ROMs) e o desenvolvimento e dinamismo dos 45 sites das escolas
ligadas à secretaria municipal de educação.
O setor educacional de Brusque está efetivamente introduzindo
a cultura digital no cotidiano escolar pelas mãos dos professores
e alunos. A marca registrada do Projeto ESPIN tem sido acreditar
e investir no potencial dos Educadores. Essa, acreditamos, seja
a premissa fundamental de qualquer projeto da área educacional,
e cremos que os resultados positivos conseguidos devam-se, prioritariamente,
a isso.
Referências
BURKE, Peter. Uma História Social do Conhecimento: de Gutenberg
a Diderot. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.
MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões
do homem. 13ª ed. São Paulo: Ed. Cultrix,2003.
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