Artigo SBIE - 2004
 
PROJETO ESPIN: Uma Política Municipal de Implantação e
Implementação das NTICs na Escola Pública
Pôster
 
Professor Rogério Santos Pedroso Profa. Dra. Edla Maria Faust Ramos
Coordenação Pedagógica do Projeto ESPIN Departamento de Informática e Estatística
Secretaria Municipal de Educação de Brusque Centro Tecnológico
rogerio@espin.com.br Universidade Federal de Santa Catarina
www.semebrusque.com.br / www.espin.com.br edla@inf.ufsc.br
 
Resumo.
E
ste artigo relata o processo histórico de implantação e implementação da política de introdução das novas tecnologias da informação e comunicação, NTICs, nas escolas da rede municipal de ensino de Brusque, Santa Catarina. Processo este que começou em 1994 com a realização do I Seminário de Informática Educativa, passando pelos trabalhos desenvolvidos no MAPE, Módulo de Aplicações Educacionais, no Telecentro de Brusque onde é oferecido à comunidade em geral e aos professores e alunos das redes públicas de ensino - estadual e municipal - acesso a recursos da telemática, capacitações e oficinas pedagógicas apoiadas nas NTICs. Culminando com a criação, implantação e implementação do Projeto ESPIN nas escolas municipais. Este Projeto é uma iniciativa totalmente apoiada em recursos municipais: da fundamentação teórica, passando pelo gerenciamento dos recursos humanos e o papel de cada sujeito e metodologia de projeto como referência para ação pedagógica dos professores e alunos que querem construir um novo paradigma educacional.

Palavras-chave: Escola Pública e as NTICs, Capacitação de Professores, Política Pública para NTICs na Escola.

1 - Introdução
Projetos de disseminação do uso das NTICs, ou de inclusão digital são em geral considerados de grande impacto político, econômico e social. Tal se justifica quando se analisa que o homem cria tecnologias para mediar as relações que constrói com o mundo, com os outros e consigo mesmo. Tais mediações permitem superar limites de tempo e de espaço. Nesse sentido autores como McLuhan (2003) e Burke (2003) conceituam, as tecnologias como extensões de nosso sistema físico, nervoso e mental. O uso dessas novas tecnologias irá logo exigir "novas relações e equilíbrios entre os demais órgãos e extensões do corpo" (McLuhan, 2003: 109).

As novas tecnologias estão abrindo um novo e amplo espaço de possibilidades, mas é bom não esquecer que a falta de compreensão sobre os artefatos tecnológicos gera dependência. Em outras palavras, é preciso que sejamos em grande número capazes de identificar as razões do uso das tecnologias e as transformações que concebemos como possíveis a partir desse uso.

Num país que historicamente apresenta uma grande concentração de renda e conseqüentemente um quadro de desigualdade social e econômica gritante é sempre urgente a criação de políticas públicas que enfrentem estes desafios. No município de Brusque, Santa Catarina, há quatro anos vem sendo implantado um projeto educacional de inserção das novas tecnologias da informação e comunicação, NTICs, no cotidiano das escolas municipais. Esse projeto tem como eixo central habilitar professores e alunos para construção autônoma de uma nova prática pedagógica. Este artigo relata, analisa e avalia esse processo.

2 - O Projeto ESPIN - Nascimento, Implantação e Implementação
O início do processo de informatização da educação pública municipal de Brusque começou em abril de 1993, com a realização de uma parceria entre várias instituições (EDUGRAF, TELEBRÁS, SED E SEME) para a implantação do Módulo de Aplicações Educacionais (MAPE), que funcionaria no Centro de TeleServiços Comunitário (TELECENTRO) de Brusque. Após um ano, em 21 de abril de 1994, foi realizado o ato de assinatura do Convênio para Implementação do MAPE durante a abertura do I Seminário de Informática Educativa de Brusque, que tinha como finalidade promover palestras e debates para sensibilizar os profissionais da área educacional e a comunidade do município, quanto ao uso de novas tecnologias na educação e sua contribuição no processo de transformação da sociedade.

Esse ambiente pedagógico informatizado, com acesso à Internet via rádio e via linha telefônica, proporcionou à comunidade em geral e, em especial, às escolas públicas a oportunidade de: acesso e formação no uso das NTICs; e, desenvolvimento de experiências e projetos educacionais apoiados nas NTICs. Nestes quase dez anos, já passaram mais de 66 mil usuários pelo TELECENTRO/MAPE. Esse ambiente permitiu a construção de muitas experiências pedagógicas apoiadas nas NTICs, além da capacitação de professores e alunos . Daí foram criadas as condições políticas e sociais para a implantação do Projeto ESPIN pela Secretaria Municipal de Educação de Brusque.

A rede escolar municipal de Brusque é formada por 41 estabelecimentos que atende a Educação Infantil (16 centros de educação infantil), o Ensino Fundamental (24 escolas) e Ensino Médio (01 estabelecimento). Os estabelecimentos educacionais estão geograficamente localizados nos bairros de periferia da cidade e atendem à comunidade em três períodos diferentes: nos períodos matutino e vespertino os alunos das séries iniciais de 1ª a 4ª série e finais de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental; e no período noturno, ao Ensino Médio e Educação de Jovem e Adultos, EJA.

O projeto ESPIN (ESpaço Pedagógico Informatizado) foi oficialmente iniciado no dia 08 de fevereiro de 2001, pela recém empossada equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Brusque para o período administrativo 2001-2004. A idéia de chamar o projeto de ESPIN veio da necessidade de, através de um nome simples, evitar tornar o espaço um "templo sagrado" (tipo CPD) onde só os "sacerdotes" (técnicos ou especialistas em informática) pudessem entrar e mexer, Por isso evitou-se chamar de "Laboratório de Informática". Com o nome - ESPIN - buscou-se incluir um novo conceito para a comunidade escolar passando a idéia de que a escola está ganhando um espaço pedagógico.

O ESPIN é um espaço equipado com PCs, impressoras, scanner, gravadora de CD-ROM, placa digitalizadora de vídeo e som, TV, vídeo, acesso à Internet e aplicativos diversos (preferencialmente software livres). Esse espaço já existe atualmente em 10 estabelecimentos municipais de Brusque (1 no Telecentro, 7 em escolas de Ensino Fundamental, 1 escola de Ensino Médio e 1 num Centro de Educação Infantil). Esses espaços são colocados à disposição dos professores e alunos e sendo oferecido, também, orientações pedagógicas e informacionais, para que dele façam uso durante o desenvolvimento de suas atividades curriculares transformando assim sua prática didático-pedagógica.

O Projeto ESPIN apresenta três dimensões de justificativas gerais: legislacional, políticas governamentais e pedagógicas. As justificativas pedagógicas, consideradas as mais importantes, foram baseadas em diversos autores que indicam que as NTICs podem melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem; ampliar o mundo da informação dos alunos e professores; ampliar o instrumental didático-pedagógico para professores e alunos; criar uma nova ecologia cognitiva na escola e possibilitar a capacitação contínua e permanente dos professores através de cursos on-line.

Em fevereiro de 2004, criou-se a APID, Ação Pela Inclusão Digital, e as escolas que têm o ESPIN passaram a atender no período noturno as pessoas da comunidade escolar que desejassem aprender a conhecer o mundo digital para se integrar na sociedade digital e resgatar sua cidadania.

3 - A Gestão dos Recursos Humanos dentro do Projeto ESPIN
Para o Projeto ESPIN os principais elementos de todo processo são os agentes humanos: o Professor, o Aluno e o Professor-Motivador.

O Professor é autônomo para traçar as diretrizes, projetar e executar a sua prática pedagógica com o uso do ESPIN. Ele só usará os recursos se isso tiver alguma significação para ele. Essa significação nasce do encantamento proporcionado por um projeto interessante de outro colega, ou por parcerias entre colegas. O professor é, nesta proposta, o Mediador e o Coordenador das atividades pedagógicas desenvolvidas no ESPIN. O planejamento e a execução das atividades são de responsabilidade dos professores. O uso do ESPIN ocorre nas suas disciplinas ou em projetos interdisciplinares e são apoiados e assessorados pelo professor-motivador.

O Aluno é visto como um sujeito ativo e autônomo que seleciona, analisa, gerencia e processa os mais diversos tipos de informações (texto, fotos, imagens, vídeo, som, sites, CD-ROMs, etc.) na construção do conhecimento contextualizado e significado a partir de projetos de aprendizagem que, junto ao seu professor e colegas, escolheu fazer.

O Professor-Motivador do ESPIN é um agente novo dentro do processo ensino/aprendizagem. Ele será o sujeito que dá suporte e orientação pedagógica para o uso das NTICs analisando os aspectos técnicos e teórico-pedagógicos desse uso. Ele buscará incentivar a Metodologia de Projeto de Aprendizagem (e de Ensino) e apoiar ações dos professores que usam os recursos dos ESPIN´s como ferramentas de apoio pedagógico dentro.

4 - Considerações finais
Percebe-se que nesses quase quatro anos, o Projeto ESPIN ajudou a desenvolver muitas ações pedagógicas e conseguiu a sinergia das Equipes da SEME, do CTIC, do ESPIN, das escolas e, principalmente, dos professores, dos alunos, dos diretores, dos orientadores pedagógicos e dos professores-motivadores. Esses professores têm espírito e atitude de exploradores que, corajosos, competentes e dedicados, resolveram enfrentar o desafio de incorporar as NTICs ao seu cotidiano profissional buscando com seus alunos um novo paradigma educacional. Prova disto é o crescente número de projetos pedagógicos em multimídia (80 CD-ROMs) e o desenvolvimento e dinamismo dos 45 sites das escolas ligadas à secretaria municipal de educação. O setor educacional de Brusque está efetivamente introduzindo a cultura digital no cotidiano escolar pelas mãos dos professores e alunos. A marca registrada do Projeto ESPIN tem sido acreditar e investir no potencial dos Educadores. Essa, acreditamos, seja a premissa fundamental de qualquer projeto da área educacional, e cremos que os resultados positivos conseguidos devam-se, prioritariamente, a isso.

Referências
BURKE, Peter. Uma História Social do Conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.
MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. 13ª ed. São Paulo: Ed. Cultrix,2003.

 
 
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